Skip to content

ULTIMA 7 – Um jogo à frente do nosso tempo

03/03/2011

Ou, por que um game pouco lembrado de duas décadas atrás ainda é o maior de todos os tempos

preto mesmo


Não importa se LORD BRITISH, após ser atingido por um AEROLITO SIDERAL, passou a desenvolver jogos para mídias sociais, a exemplo do triste e emblemático POKER DO RABO DOCE. Depois de Ultima 7, absolutamente nada que ele fez ou vai fazer pode ameaçar a sua cadeira cativa no PANTEÃO da genialidade gaymística, aquele lugar onde o Peter Molyneux, por exemplo, nunca vai chegar.

Que fique claro. Esse não é daqueles jogos que, cristalizados nos labirintos da memória, parecem muito melhores do que realmente são. Na verdade, ele é muito melhor do que realmente parece. Se lançado numa arena com jogos atuais de ambição comparável (rpg, sandbox, story-driven), o vovô ouviria alguns desaforos em razão do porte gráfico e jogabilidade afiada de seus herdeiros imberbes, criados a leite com pêra, muita técnica e sem PAIXÃO, mas não sem antes lhes aplicar uma boa e elegante surra.

Acontece que o diabo é velho. Então envelhecei para compreendê-lo. Em 1992, a empresa de Richard Garriott, Origin Systems, lançava sua obra prima; Ultima 7: The Black Gate. A sétima iteração da série principal situada no universo de BRITANNIA, um reino muito batuta e simpático, mas costumeiramente importunado por seus próprios habitantes e outros seres esquisitos. Um ano depois, veio à luz a segunda parte, ASSAZ intitulada Ultima 7: The Serpent Isle.

Apesar de cronologicamente inseparáveis e da engine idêntica, as duas metades  diferem em alguns quesitos importantes. Há quem diga que a segunda parte é pior do que a primeira. Há quem diga que é melhor, há quem diga que são igualmente boas, há quem diga que são a mesma coisa nas diferenças e diferentes nas mesmas coisas. E há quem diga que o simples ato de compará-las é um sacrilégio. Há, também, aqueles que dizem que essa mania de opinar sobre tudo é de uma presunção sem tamanho. Mesmo opinando, fico com os últimos.

Segue, portanto, uma rápida DISSECAÇÃO de alguns dos seus FRONDOSOS e inigualáveis méritos;

SÉQUIÇO

errr...

Emular o sublime ato de ESCOVAR A TATURANA já era possível muito antes de Mass Effect desenrolar o rocambole de milhões de nerds pré-púberes alienófilos. Com direito a relações HOMOAFETIVAS entre fêmeas joviais, dança do acasalamento, nudez pixelada, gemidos selvagens (not) e um emocionante CATCH IN THE ACT, Ultima 7 é o ápice da categoria de jogos-que-sua-mãe-não-deixaria-você-jogar-caso-tivesse-uma-ínfima-noção-do-que-se-trata. O que, fatalmente, envolve quase todos os games. Especialmente os nipônicos.

EASY RIDER

ahoy!

Enquanto alguns achavam o máximo cavalgar cruzas de avestruz com galinha em FANTASIA FINAL (que, infelizmente, nunca chegou a ter um fim), U7 permite desbravar sua geografia luxuriante com CHARRETES, embarcações marítimas ARROJADAS e, como não, TAPETES VOADORES.

TAPETES VOADORES

fineza nas rendas e babados

Essa MARAVILHA da engenhosidade britanniana vem com OITO poltronas e torna praticamente inúteis os demais meios de transporte. Com um pouquinho de paciência, é até possível encaixar baús nos espaços vazios, o que não é particularmente útil quando se tem SETE burros de carga acompanhando o herói. Mas sem dúvida possui algum valor estético.

Fator IYSIYCKI

Lord British. Morto por uma placa cadente.

Também conhecido como IF YOU SEE IT YOU CAN KILL IT. Npc murrinha? Mate-o. Npc bacana? Mate-o também. Depois ressuscite-o e mate-o outra vez, quantas vezes quiser. Ao contrário de certos exemplares da DERROCADA GAMÍSTICA a que chegamos, U7 abdica de castrar o ímpeto natural do ser humano por corpos CUSPINDO sangue pelos poros. Dá até pra dizimar todas as formas de vida existentes no jogo – ou quase todas – com uma poderosa, e estranhamente acessível, magia.

Dízimo NA FAIXA

fecha os olhos, Iolo

A magia está morrendo, as pessoas estão morrendo e, com elas, a fé nas velhas instituições estão, adivinha o que? Morrendo. Britannia encontra-se em um estado lamentável de depravação moral e, já que você vai salvar o mundo, nada mais justo do que tomar para si os BENS LITÚRGICOS das igrejas locais, adeptas de uma seita *spoiler* MALIGNA *spoiler* curiosamente bastante afeita a costumes e modos cristãos.

É possível afanar da comida do padre às moedinhas do dízimo. Só não esqueça de fechar a porta.

Easter Eggs INTELIGENTES

Electronic Arts mata criancinhas

A geração playstation que acha o MÁXIMO um fanservice gratuito como a ilha de Lost em Just Cause 2 talvez não entenda. Mas as referências de U7 à morte anunciada da Origin nas mãos da Electronic Arts são de uma beleza e melancolia que transcendem a mensagem. Os suspiros finais de uma filosofia e jeito únicos de fazer jogos; um grito de socorro à beira do abismo do lucro fácil. A criatividade perdendo pro mercado, mas não sem lhe dar uma boa CUSPARADA antes de quedar derrotada.

Dois exemplos:

– O Guardião, vilão mor do jogo, tem o apelido carinhoso de “DESTRUIDOR DE MUNDOS”, uma alusão pouco sutil à gigante caça-níquel que iria adquirir e desmanchar a simpática empresa de Garriott. E o slogan da Origin era, olha que bonito, “WE CREATE WORLDS”.

– Na finaleira, é preciso destruir três geradores de nem-me-lembro-o-que que têm exatamente as mesmas formas geométricas da então logomarca da EA. Um cubo, uma esfera e uma pirâmide.

Ninfas NINFOMANÍACAS

hmm... entendo.

Enredo ROCAMBOLESCO

mais sangue que pixel

Tá, não é uma fábula assim digna de… – deixe-me ver um bom referencial de autor bem-sucedido no Brasil – …MANOEL CARLOS. Tem seus escorregões e é previsível até não mais poder, mas qualquer jogo de 1992 que comece com corpos esquartejados por fanáticos religiosos num estábulo merece alguma atenção. Pelo menos o herói não morre no final e nenhum patrimônio da UNESCO é destruído no processo de salvar Britannia. O mais BATUTA é que os diálogos são escritos naquele inglês cheio de firula e charme e artigos e pronomes estranhos da Bíblia de King James. Dá um quê cerebral pra coisa, sabe?

Interação ABSURDA

também rola de usar sangue no lugar da água

Com uma engine estupidamente flexível, U7 inaugurou o ciclo de dia e noite em tempo real (esqueça o zeldinha 64), implementou um sistema crível de fome e sono, e permitia fazer coisas como ceifar trigo, juntar farinha com água pra fazer massa, pegar a massa e colocar no forno pra fazer pão e depois ainda lucrar com o produto final. Pode até ser inútil, já que assaltar o banco central de Britannia é um negócio bem mais interessante e CAPITALIZANTE. Mas serve de testemunho quanto à estúpida quantidade de pequenos detalhes que, juntos, dão aquela impressão agradável de que o todo é maior do que a soma das partes.

Um toque de HUMANIDADE

metanarrativas manolo

No lugar de cidades gigantes habitadas por robôs insípidos e casas vazias (alô, Elder Scrolls), U7 investe em URBES perfeitamente ajustadas à variedade de seus NPCs e reais necessidades de design e enredo. Nada é gratuito. TODOS os personagens (270 somente na primeira parte), mesmo aqueles absolutamente inúteis, possuem uma essência própria, um resquício de personalidade que é potencializado pelo comportamento realista e rotinas próprias de inteligência artificial. Perto das massas amorfas de bits que se vê por aí hoje, chega a dar um nó no gogó e arrepiar os vasos capilares. É arte caras, é PURA ARTE.

Considerações finais

Jogue, mas aprecie com parcimônia. Pode ser a maior obra prima da décima arte por conta do conjunto da obra, só que a jogabilidade envelheceu mal que nem o diabo e o combate só diverte por ser engraçado. Dificilmente alguém vai agüentar seguir o enredo até o fim, mas Britannia e Serpent Isle (onde se passa a segunda parte) são enormes e sabem recompensar a exploração e a PORRA-LOUQUICE como nenhum outro jogo. Pra rodar nos sistemas atuais, baixe o fabuloso Exult, que ainda suporta resoluções maiores e outras coisas legais. Também é preciso ter o jogo. Mas aí o problema é seu.

Anúncios
2 comentários leave one →
  1. 06/09/2011 03:59

    Postagem muito foda e extremamente nostálgica sobre um dos melhores jogos já lançados.

    Parabéns pela postagem.

  2. thomazrb permalink
    27/10/2012 01:15

    Cara… essa foi a postagem! to fazendo a tradução do Ultima 7, e vou com certeza te usar como referência no meu site! Muito bom mesmo.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: